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Lembrar você: Sou campeão mundial!

”Será que você lembra como eu lembro o mundial que o Zico foi buscar?” Hoje, 35 anos depois, eu ainda me lembro perfeitamente. Mesmo não tendo o privilégio de ver aquela seleção em campo, eu não vou esquecer dessa data, que cá entre nós, no Rio só eu posso comemorar.

Naquele 13/12/1981 o mundo, maravilhado, acompanhava com olhar de admiração aquele time que chegou de chinelo, tocando pagode e rindo atoa. Aquele grupo que atravessou o mundo atrás de um sonho, chegou tocando pagode, mas quem sambou foi o Liverpool.

Comandados pelo intérprete Arthur, o Flamengo foi soberano do início ao fim, naquele dia, o Liverpool aprendeu o que era futebol.

Alguns jogadores ingleses, soberbos, imaginaram uma final sem sustos. Ah, que pena desses medíocres, não sabiam que enfrentariam mais que um time, enfrentariam também 40 milhões em campo.

Mas eu entendo, um time que ganhara do Bayern de Munique e Real Madrid não perderia pro modesto Flamengo, de salários pequenos e chuteiras gastas, pelo contrário, era de se esperar um baile, e até por isso, o Estádio Nacional de Tóquio colocou 62.000 torcedores, mas o baile não foi vermelho e branco, o baile foi vermelho e preto, que na final, usava sua armadura branca, ombreira, e com o mesmo poder de intimidação.

A PARTIDA MAIS IMPORTANTE DA HISTÓRIA DO CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO!

O Flamengo tinha uma máquina, máquina essa que tinha papado 3 estaduais, 1 brasileiro, a libertadores de 1981 e ganharia o mundial daquele ano. Com uma defesa sólida, meio campo criativo e marcador e com um ataque poderoso, o Flamengo massacrou os ingleses. Segundo tempo só rolou porque é regra, afinal, nem precisava.

Isso tudo porque, logo aos 13 minutos de jogo, Zico lançou Nunes, o ”artilheiro das decisões”, que observou a saída do goleiro Grobbelaar e, ainda fora da área, deu um toque de classe por cima do goleiro, e artilheiro é assim, sabe que é gol antes da bola balançar as redes. Nunes saiu pra comemorar antes mesmo de ser gol. Era só o início do baile.

Nunes, antes mesmo da bola balançar as redes, abre os braços pra comemorar o primeiro gol do jogo.

Como se não bastasse um time que carregava uma nação nas costas, o Liverpool enfrentou também o melhor 10 do planeta, o maior ídolo da história rubro-negra, enfrentaram um Zico inspirado e com vontade de fazer história e quando o galinho tá assim, ninguém para, amigos. Aos 34 minutos, McDermott derrubou Tita na entrada da área e o 10 da gávea se encarregou da cobrança. Chuto soltou a bomba que quicou na frente do goleiro Grobbelaar que rebateu pro meio da área. Na sobra, Lico bateu e o zagueiro cortou, mas ela sobrou limpa, sozinha, pra Adílio, o nosso camisa 8, colocar pro fundo das redes. 2×0 pro maior do mundo.

Adílio no momento em que coloca 2×0 no placar.

O time inglês, já abalado, viu o título escapar quando aos 41, isso ainda no primeiro tempo, Zico (sempre ele), protagonizou um lance parecido com o primeiro gol. O galinho novamente lançou Nunes, que avançou e bateu na saída do goleiro. Pronto, jogo definido, a taça é do Brasil, é do Rio de Janeiro, mas é apenas do Flamengo!

A 35 anos atrás, o mundo ficava mais Flamengo do que nunca!

Nunes, comemora o seu segundo gol no mundial. Artilheiro das decisões!

O prêmio de melhor jogador da competição foi pra Arthur Antunes Coimbra, nada mais e nada menos que o maior de todos, Zico!

Zico com o prêmio de melhor jogador do torneio. Um Toyota Celica.

FICHA TÉCNICA DO TÍTULO MUNDIAL

FLAMENGO: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Técnico: Paulo César Carpegiani.

VS

LIVERPOOL: Grobbelaar; Neal, R. Kennedy, Lawnson e Thompson; Hansen, Dalglish e Lee; Johnstone, Souness e McDermott (Johnson). Técnico: Bob Paisley.

DATA: 13 de Dezembro de 1981 – LOCAL: Estádio Nacional – Tóquio – Japão

ARTILHEIRO: Nunes – MELHOR JOGADOR: Zico – CAMPEÃO: Flamengo

CURIOSIDADES

Fuso horário
Uma semana antes da decisão, o Flamengo passou uma semana em Los Angeles, Estados Unidos, para melhor se adaptar ao fuso horário japonês.
Disney
No período de adaptação ao fuso-horário, nos Estados Unidos, os jogadores do Flamengo foram liberados para irem até a Disney conhecer os parques e os personagens de desenhos animados.
Lua de mel
O único jogador da delegação do Flamengo a não ficar junto com o time no período de adaptação, nos Estados Unidos, foi Adílio. Como tinha se casado há poucos dias, o camisa 8 curtiu sua lua de mel e, no dia do embarque para o Japão, se encontrou com o restante do elenco no aeroporto de Los Angeles. Ele e Zico foram os únicos que viajaram com as esposas para o Mundial.
Caminho difícil
Diferente de hoje em dia, o título era disputado diretamente entre o campeão da América do Sul e da Europa. Para chegar lá, o Liverpool superou o Real Madrid na final e o Bayern de Munique, nas semis.
Goleada
A vitória do Flamengo diante do Liverpool é o maior placar de uma final de Mundial Interclubes desde que os times passaram a jogar em campo neutro (pós 1979). Inter de Milão, em 2010, Estrela Vermelha, em 1991, e Milan, em 1990, também venceram seus jogos por 3 a 0. No entanto, nenhum deles ‘matou’ o adversário no primeiro tempo como o Flamengo de 1981.
O craque
Zico foi o primeiro brasileiro a levar o prêmio de melhor jogador do Mundial Interclubes. A eleição passou a ser feita em 1980.
Risadas
Apesar de muito disse me disse, os jogadores do Flamengo esclarecem que entenderam, e bem, as risadas dos adversários do Liverpool, tanto na hora em que chegaram ao estádio quanto no momento de entrar em campo. De acordo com eles, os ingleses apenas estranharam a tranquilidade rubro-negra e a corrente feita antes de pisar no gramado. Nada demais, mas o suficiente para entrar no hall dos mitos do futebol.
Convidado especial
O atacante Anselmo, que foi expulso no último jogo da Libertadores ao entrar em campo e dar um soco em Mario Soto, foi ao Japão como convidado mais que especial da delegação rubro-negra. E não foi por nenhum motivo técnico. O cartão vermelho recebido diante do Cobreloa impedia o jogador de estar presente na decisão do Mundial.
Hino do título
Acostumados a fazerem suas batucadas antes e depois das conquistas, os jogadores do Flamengo saíram do estádio, com as taças do Mundial, cantando o samba da Portela de 1981: “Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite”. Junior comandava o ‘bloco’ com o pandeiro, seguido de Zico com o tamborim e Adílio com o chocalho.
Fonte: Flamengo.com.br

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